O consumidor brasileiro decidiu que prefere o real ao perfeito, porém o setor automotivo ainda não percebeu.
Tenho observado o feed das concessionárias nas mídias sociais e notei um padrão que se repete de marca em marca. A mesma pose, o tom institucional, o carro brilhando sob a luz de estúdio, a legenda motivacional, o "venha nos visitar" no final, a ponto de as postagens parecerem clones entre concorrentes diretas.
Enquanto o setor segue essa fórmula, o consumidor brasileiro vem dizendo o contrário, e não é achismo, é dado.
O QUE O CONSUMIDOR BRASILEIRO PREFERE
Pesquisa Consumo e Influência Digital 2026, Influency.me em parceria com a Opinion Box.
Segundo a pesquisa Consumo e Influência Digital 2026, da Influency.me em parceria com a Opinion Box, 70% dos consumidores preferem fotos que mostram o produto em uso no cotidiano contra apenas 10% que preferem imagens de estúdio, 43% preferem vídeos com edição leve e 32% preferem vídeos sem edição nenhuma, 68% valorizam quem demonstra conhecimento real sobre o produto, 64% valorizam quem aponta pontos negativos honestamente, e 69% já compraram produtos indicados por influenciadores nos últimos seis meses.
O consumidor de hoje reconhece em segundos o que é roteiro e o que é verdade, identifica a produção engessada, a legenda genérica, o entusiasmo artificial, e simplesmente rola o feed sem parar.
Só que a concessionária brasileira segue investindo pesado em criativos perfeitos, cenários de estúdio e mensagem institucional, enquanto vê a conversão dos leads que gera cair ano após ano. E não é falta de mídia, nem falta de criativo bonito. É que o mercado mudou de linguagem, e o setor ainda está falando a antiga.
A pergunta que fica para quem lidera um grupo hoje é se a sua concessionária tem voz própria, ou se está falando a mesma frase que todas as outras estão falando ao mesmo tempo?