Vamos falar sobre parque circulante?
Em 2015, os carros com até cinco anos de uso representavam 38,5% da frota brasileira. Em 2024, essa fatia caiu para 22,3%, enquanto os veículos entre 11 e 15 anos se tornaram o grupo que mais cresce e já passam de 30% do total, segundo o Sindipeças.
CARROS COM ATÉ CINCO ANOS DE USO, COMO FATIA DA FROTA
30% da frota tem entre 11 e 15 anos, o grupo que mais cresce. Idade média dos automóveis: 11 anos e 5 meses. Fonte: Sindipeças.
Costumamos resumir esse movimento dizendo que a frota está envelhecendo, e a idade média de 11 anos e 5 meses dos automóveis confirma a leitura, mas a média esconde o que de fato aconteceu, que foi uma inversão na composição do parque circulante.
O tipo de veículo para o qual a oficina de concessionária foi desenhada encolheu quase pela metade em menos de dez anos e o tipo de veículo que ela costuma perder para a oficina independente é justamente o que mais cresce.
A pergunta que isso deixa para quem gerencia uma concessionária não é sobre volume de passagem, é sobre desenho de operação:
- Nossos processos de agendamento
- Nossa comunicação com a base de clientes
- Nossa tabela de serviços
- E até o treinamento das equipes
Foram construídos pensando em quem ainda está dentro do período de garantia e de revisão programada.
Quando o carro passa do quinto ano, a comunicação simplesmente diminui, o cliente deixa de ser lembrado e a relação se encerra sem que ninguém tenha decidido encerrá-la.
Enquanto isso, esse mesmo cliente continua rodando com o carro, continua gastando com manutenção e continua escolhendo alguém para cuidar do bem dele. Ele apenas não está mais escolhendo a gente.
O problema não é a demanda ter caído, é que o carro que passa na nossa porta hoje não é mais o carro para o qual desenhamos a operação. A boa notícia é que corrigir isso não depende de investimento novo, depende de olhar com atenção para a base de clientes que a concessionária já tem e que hoje está parada dentro do próprio sistema.
Quantos dos carros que a sua loja vendeu há cinco anos ainda voltam para a sua oficina?